domingo, 30 de novembro de 2008

Strokes & Roman Coppola - Hard To Explain

Strokes & Roman Coppola - Hard To Explain

A colagem geralmente transforma o seu conteúdo em algo superficial, funcionando como um artifício artístico menor.


Quando realizada, é fácil perceber apenas o fator de descontração, como algo meio “cavalo de brinquedo em francês”. Ou para os mais visionários, apenas um meio de produzir algo sem exercer um sentido narrativo lógico e claro áquilo, algo pá-pum que “está ali, veja”.

Porém, se tratando deste caso de Roman Coppola, o vídeo da música “Hard to Explain” (Strokes, 2000) é uma colagem de um terceiro sentido ao mínimo. A começar pela música, que ajuda por ter em sua estrutura climas bem separados: um verso morno, mas não disperso; um pré-refrão (“Raised in Carolina...”) que nos deixa ansiosos pelo refrão e um refrão clímax. Então, ela tem 3 partes bem distintas contendo um animo crescente, além da repetição delas e a introdução sem vocal. Com isso ao longo de 4 minutos, percebo no diretor uma meta de criar linhas de imagens que acompanhem a música. Com isto aceito pelos leitores, é possível expandir o mundo interno do clipe:

- No inicio, as imagens só aparecem junto a guitarra e não a bateria, que começa é quem música tendo a imagem em black;

- São formados mini-assuntos para cada bloco musical, como os aviões e os carros em movimento no verso ou imagens da banda antes (e somente) do refrão clímax etc.

- Em alguns momentos é preciso notar a importância sugerida pelo diretor aos cortes e se perguntar o por que de uma imagem ter sumido logo e outra ter ficado mais tempo, como é o caso do avião recolhendo suas rodas após levantar vôo que é longa e plasticamente bonita ou o passaro mergulhando na água que requer um inicio meio e fim de sua ação para ser cortado;

- O refrão final é o clímax ao quadrado e isso também é refletido nas imagens, que são mostradas sem uma ordem aparente e em ritmo de corte bem acelerado como um flashback de tudo o que passou.

Porém, o interessante é analisar como foram agrupados e formando blocos de blocos de imagem. Mas isso, só se você viro clipe do inicio ao fim vivendo cada imagem ao máximo. O conteúdo de cada plano da montagem, em união com o seu subseqüente, forma um conceito mais de emoção do que de dispersão ou de um sentido artístico menor. Ao contrário, me agrada pensar em sua similaridade com a eterna pergunta do que é arte. Nada há de Duchamp em suas escolhas. Não importam os aviões da tela nem a galáxia e muito menos as mulheres de biquíni. É necessário experienciar o que isto em conjunto mostra, com muita transparência, sobre a canção. Há de pegar também o lado poético do escritor, em frases como:

- “(...) Raised in Carolina ‘I'm not like that’(...)”

- “ (...) I say the right things, but act the wrong way (...)”

E finalmente a síntese da canção:
- “(...) I don't see it that way (...)”

A linha de pensamento não é a: “os carros representam o significado X” e sim pensar que o movimento deles é expressivo por si só, com um sentido de enfatizar tal lado poético da canção. Porém não pensar nisso superficialmente. A estrutura é realmente robótica, mas é uma técnica usada apenas transparecer uma suavidade controlada do nosso dia-a-dia. Vejam, é fácil entender cada perspectiva de qualquer discussão pela bagagem que se ganha de viver na década 00, mesmo que em um mundo fechado. As discussões são permeadas por pessoas reais interpretando personagens que sabem o que os outros vão dizer. Como exemplificar isso?
It´s Hard to explain, sim. Mas é possível sentir.


OBS: Gosto de pensar que neste clipe a diferença de textura das imagens foi ajustada para que todas fiquem mais bonitas possíveis. Vejo nisto algo otimista. Agora se há tal ação, de fato...

2 Comentários:

Às 21 de maio de 2011 às 07:10 , Blogger Unknown disse...

Se a leitura de imagem do clip se faz um tanto criptografada, a da tua escrita, não! Bela fluência de idéias.

 
Às 22 de maio de 2012 às 14:18 , Blogger Ágata Bresil disse...

Uau, texto complexo para mim. UAHSUUHAUHSUHA

Tudo Tem Refrão

 

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